domingo, 19 de julho de 2026

Discuções, brigas e vandalismo

 Recentemente, Linus Torvalds esclareceu sua posição sobre o uso de inteligência artificial no desenvolvimento do kernel Linux. Em uma mensagem na lista de discussão do projeto, o criador do Linux afirmou que não vê motivos para rejeitar LLMs, desde que sejam usados de forma criteriosa e tragam benefícios reais ao processo de desenvolvimento. Para Torvalds, a IA deve ser tratada como qualquer outra ferramenta, ou seja, útil quando aplicada com bom senso, mas sem ignorar suas limitações ou transformar seu uso em uma questão ideológica.

Mas se tratando de IA, nem todos pensam da mesma forma, um protesto contra a construção de um data center que, segundo a imprensa holandesa, será ocupado pela Microsoft terminou em vandalismo na cidade de Amsterdã. Integrantes do grupo ambiental Extinction Rebellion assumiram a autoria do lançamento de balões contendo uma mistura química contra a estrutura de concreto da obra, alegando que a expansão da infraestrutura para IA agrava a crise climática. A construtora afirmou que o incidente não causou danos à construção e informou que pretende tomar medidas legais contra os responsáveis.

Ainda nas atualizações Linux, depois de acusar um ex-colaborador de tentar sabotar a distribuição, o OpenMandriva viu o próprio desenvolvedor apresentar outra versão da história. Davide Beatrici admitiu ter removido repositórios e publicado um pacote que descontinuava temporariamente os ambientes GNOME e COSMIC na versão de desenvolvimento Cooker, mas afirmou que a ação foi um protesto contra mudanças na infraestrutura do projeto feitas sem seu conhecimento. Segundo ele, todas as alterações eram facilmente reversíveis e tinham como objetivo chamar a atenção da equipe de manutenção para o impasse.

IA lendo documentos e alterando contas

Enquanto PDFs e arquivos DOCX foram criados para serem lidos por pessoas, a nova especificação DocLang nasceu com outro objetivo: facilitar a interpretação de documentos por sistemas de IA. Desenvolvido sob governança neutra da Linux Foundation, o padrão promete preservar estruturas como tabelas, gráficos, fórmulas e metadados de privacidade, reduzindo perdas de informação comuns em pipelines de IA. A iniciativa reúne empresas como IBM, NVIDIA e Red Hat, e busca criar uma base aberta para o processamento de documentos em aplicações com LLMs e agentes de IA.

Por outro lado, os desafios trazidos pela popularização da IA generativa está a dificuldade de distinguir automação de ações potencialmente perigosas. A comunidade do Fedora investiga um caso envolvendo uma conta de colaborador que teria executado alterações suspeitas em relatórios de bugs e enviado correções consideradas incorretas para projetos relacionados, incluindo o instalador Anaconda. Posteriormente, o responsável pela conta alegou ter sofrido comprometimento das credenciais e negou sua participação nas ações.

sábado, 13 de junho de 2026

Linux e MacOS

Quem utiliza Linux em Macs com chips Apple Silicon recebeu um alerta importante da equipe do Asahi Linux. A versão beta do macOS 27 Golden Gate altera a forma como o sistema identifica sistemas operacionais inicializáveis, fazendo com que instalações existentes do Linux deixem de aparecer nas ferramentas de seleção de boot da Apple. Embora os dados e partições permaneçam intactos, os usuários podem perder temporariamente o acesso ao sistema. A equipe acredita que se trata de um bug e já reportou o problema à Apple, mas recomenda evitar a atualização até que uma solução oficial seja disponibilizada.

Enquanto isso, para reduzir a distância entre o desenvolvimento em macOS e a execução em servidores Linux, a Apple apresentou as Container Machines, um novo recurso que combina contêineres OCI e máquinas virtuais leves para criar ambientes Linux persistentes dentro do sistema. A proposta lembra o Windows Subsystem for Linux da Microsoft, permitindo executar comandos, desenvolver aplicações e testar projetos em um ambiente mais próximo do destino final. Embora a solução ainda apresente limitações de documentação, gerenciamento de memória e suporte gráfico, ela demonstra um esforço da Apple para oferecer ferramentas nativas capazes de competir com alternativas como Docker, Podman e OrbStack.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Mais problemas criados pela Skynet, ou melhor por IA

Diante da explosão no uso de inteligência artificial, a Linux Foundation quer resolver um problema que começa a preocupar empresas de todos os portes: entender quanto a IA realmente custa. Para isso, anunciou a criação da Tokenomics Foundation, iniciativa voltada ao desenvolvimento de padrões abertos para medir e comparar gastos com tokens entre diferentes provedores. Com apoio de gigantes como Google, Microsoft, IBM e Oracle, o projeto pretende criar métricas neutras para um mercado em rápida expansão. A proposta segue a tradição da Linux Foundation de usar uma governança aberta para evitar a fragmentação e aumentar a transparência em tecnologias emergentes.

Enquanto isso, o Flathub passará a restringir novos aplicativos criados majoritariamente por ferramentas de IA. A plataforma não proibiu completamente o uso de código assistido por inteligência artificial, mas exigirá que projetos demonstrem manutenção ativa, engajamento da comunidade e desenvolvimento contínuo para serem aceitos. A medida busca conter a onda de aplicações geradas automaticamente, muitas vezes pouco originais e sem suporte de longo prazo, que vêm sobrecarregando os processos de revisão.

Windows mais "Unix like"

Agora o Power Shell ficou muito mais fácil para usuários acostumados ao Linux se sentirem em casa no Windows. A Microsoft lançou o Coreutils para Windows, pacote baseado no projeto uutils que leva mais de 75 comandos clássicos do Unix, incluindo grep, ls, cat e head, diretamente ao CMD e ao PowerShell. Desenvolvida em Rust e totalmente baseado no uutils, a iniciativa busca padronizar fluxos de trabalho entre Windows, Linux, contêineres e WSL, reduzindo incompatibilidades em scripts e ferramentas de automação.

para instalar, execute o comando no Power Shell

 winget install Microsoft.Coreutils

caso seja necessário executar como administrador 

 sudo winget install Microsoft.Coreutils run

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Fedora abandona Deepin e abraça o MS Azure

Enquanto muita gente ainda associava o Deepin ao visual refinado e à experiência amigável no Linux, o Fedora decidiu encerrar oficialmente o suporte ao ambiente gráfico após uma sequência de problemas que tornavam sua permanência insustentável. A remoção, aprovada pela FESCo, envolve desde pacotes quebrados até preocupações sérias de segurança ligadas a componentes sensíveis como D-Bus e Polkit.

Enquanto isso, a Microsoft está aproximando ainda mais sua infraestrutura Linux do ecossistema Fedora. O futuro Azure Linux 4 abandonará boa parte das customizações isoladas para adotar fontes, ferramentas e empacotamento diretamente derivados do Fedora, mantendo o sistema muito mais próximo do upstream. A estratégia reduz a complexidade de manutenção e evita forks muito divergentes. Embora continue focado na nuvem, containers e workloads internos da Azure, o projeto mostra como o Fedora vem ganhando espaço como base tecnológica relevante até mesmo dentro de uma das maiores empresas de software do planeta.

sábado, 16 de maio de 2026

Finalmente HDMI 2.0 no Linux

Antes tarde do que nunca, enquanto o DisplayPort segue sendo a escolha preferida da comunidade gamer no Linux, usuários de placas da AMD podem finalmente ver um avanço importante no suporte ao HDMI 2.1. Um novo conjunto de patches enviado ao kernel Linux adiciona suporte ao HDMI FRL no driver amd gpu, etapa essencial para recursos como altas taxas de atualização em resoluções elevadas. O desenvolvimento esbarra há anos nas exigências de licenciamento do HDMI Forum, que dificultaram implementações abertas da tecnologia. Ainda faltam recursos como DSC, em fase de testes, mas desenvolvedores indicam que uma implementação completa pode chegar ao longo de 2026.



terça-feira, 5 de maio de 2026

código fonte do MS-DOS liberado

A Microsoft liberou o código-fonte do 86-DOS 1.00 e do PC-DOS 1.00 sob licença MIT. Considerado o embrião do MS-DOS, o 86-DOS ganhou uma nova vida como objeto de estudo e arqueologia digital, inclusive com trechos recuperados de impressões físicas. A iniciativa é mais um passo da empresa em abrir versões históricas de seus sistemas, ampliando o acesso às bases que moldaram a computação pessoal.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Novidades para o Ubuntu Linux

Nesta semana tivemos um lançamento pragmático, com foco corporativo em infraestrutura e IA. O Ubuntu 26.04 LTSResolute Raccoon” aposta em otimizações profundas de hardware e segurança. A nova LTS integrou suporte nativo a stacks como NVIDIA CUDA e AMD ROCm, além de avançar em memória segura com componentes em Rust e criptografia de disco atrelada ao TPM. No desktop, consolida a transição para Wayland, com as interfaces gráficas atualizadas, sendo o GNOME 50 a escolha para a versão principal.

Na esteira da nova LTS, a Canonical já delineia o ciclo do Ubuntu 26.10Stonking Stingray”, com lançamento previsto para 15 de outubro de 2026. O cronograma segue o rito conhecido: congelamento de recursos em agosto, beta em setembro e foco em estabilidade nas semanas seguintes. Como versão intermediária, terá suporte de nove meses, mas costuma ser onde mudanças mais ousadas aparecem, sem o peso de uma LTS. Entre as expectativas estão o GNOME 51 e um kernel mais recente.



domingo, 19 de abril de 2026

Linux feito com IA, início do fim?

Com a chegada do Linux 7.0, o projeto do kernel formalizou sua posição sobre o uso de IA no desenvolvimento: é permitido, mas sob regras rigorosas. O novo guia “AI Coding Assistants” exige que toda contribuição mantenha responsabilidade humana via DCO, proíbe submissões puramente automatizadas e introduz a tag “Assisted-by” para transparência. A decisão não é unânime; nomes como Linus Torvalds e Greg Kroah-Hartman preferem abordagens distintas, mas convergem no essencial: a IA pode ajudar, mas nunca substituir. Em contraste com projetos mais restritivos, o kernel aposta na responsabilização, uma escolha pragmática cujo sucesso dependerá menos das regras e mais da disciplina dos desenvolvedores.